ABORTO: O “SILÊNCIO DOS INOCENTES” QUE NÃO NASCERAM!
O aborto continua no topo das discussões políticas no Brasil. É um tema que merece toda a nossa atenção e posicionamento com respaldo ético, social e principalmente bíblico.
A palavra aborto vem do latim, abortum, do verbo abortare, com o significado de “pôr-se o sol, desaparecer no horizonte e, daí, morrer, perecer”. Na Bíblia, o termo e seus cognatos aparecem em Jó 3.16 e Sl 58.8 etc. Segundo o Grande Dicionário de Medicina, aborto “é a expulsão espontânea ou provocada do feto antes do sexto mês de gestação, isto é, antes que o feto possa sobreviver fora do organismo materno...”.
Como pastor, advogado e psicanalista clínico, sou contra o aborto e a favor da vida, com fundamentos na fé cristã, ciência e aspectos éticos e jurídicos.
A vida começa com a fecundação. O embrião é um ser humano em fase de crescimento tanto quanto um bebê, criança ou adolescente. Na Bíblia, aprendemos que Deus é o autor da vida. Ele forma o nosso interior e nos tece no ventre da nossa mãe. Deus nos forma de maneira maravilhosa. (Sl 139.15,16). A Bíblia fala do ser antes de nascer: Sl 51.5 e Jó 10.10.
Todos esses textos bíblicos e muitos outros indicam que Deus não faz distinção entre vida em potencial e vida real, ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre materno em qualquer o estágio e um recém-nascido ou uma criança. As Escrituras pressupõem a continuidade de uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Não há qualquer palavra especial utilizada para descrever o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido, no tocante a ser e com referência a seu valor pessoal.
O próprio Deus relaciona-se com pessoas ainda não nascidas. No Sl 139.16, o salmista diz com referência a Deus: “Os teus olhos me viram a substância ainda informe”. O autor utiliza a palavra golem, traduzida como “substância”, para descrever a si mesmo enquanto no ventre materno. Ele utiliza esse termo para se referir ao cuidado pessoal de Deus por ele, mesmo durante a primeira parte de seu estado embrionário, o estado antes do feto estar “formado”.
Sabemos hoje que o embrião é “informe” durante apenas quatro ou cinco semanas. Mesmo nessa fase, Deus se importa com a criança (Sl 139.13-16). Outros textos da Bíblia também indicam que Deus se relaciona com o feto como pessoa: Jó 31.15, 10.8,11 e Sl 78.5-6.
Além desses, outros versículos (Jr 1.5; Gl 1.15, 16; Is 49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se encontram no ventre materno como pessoas. Não há outra conclusão possível. Precisamos concordar com o teólogo John Frame: “Não há nada nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, que uma criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa humana, a partir do momento da concepção”.
Precisamos concluir que esses textos das Escrituras demonstram que a vida humana pertence a Deus, e não a nós e, por isso, proíbem o aborto. Quer queiram quer não, a lei de Deus é enfaticamente clara: “Não matarás” (Ex 20.13). Deus é o autor da vida e só ele tem autoridade para tirá-la (1 Sm 2.6). Muitos, infelizmente, querem justificar o aborto como necessário para evitar ou solucionar problemas de ordem econômica ou social: fome, desemprego, baixo salário, moradia; motivos subjetivos da gestante (exemplo: gravidez indesejada), e outros.
O aborto é um assassinato. Será que a morte pode ser solução para os problemas da vida? A legalização do aborto é criar opção onde não existe opção. A não ser que se admita a opção do absurdo.
O Código Penal Brasileiro, em dois incisos do artigo 128, prevê que médicos podem praticar o aborto em apenas dois casos: I) se não houver outra maneira de salvar a vida da mulher grávida; II) quando a gravidez é consequência de estupro e a mulher concorda em fazê-lo - ou, se for menor, tem autorização de seu responsável para isso.
A legalização ou descriminalização do aborto é uma declaração de insanidade e incompetência de uma sociedade que faliu e desistiu de lutar pela vida. Que trata problemas a partir das consequências e não das causas.
Provocar o aborto é matar um ser indefeso, incapaz de se proteger. É um assassinato com requintes de crueldade, pois não raro, a criança em formação é envenenada, esquartejada e sugada do ventre como uma verruga pestilenta e indesejável. Se os milhões de crianças que não chegaram a nascer pudessem gritar aos ouvidos do mundo, ficaríamos estarrecidos com as vozes daqueles inocentes que não puderam nascer.
O aborto não é menos perverso do que o Holocausto, onde seis milhões de judeus foram mortos nos campos de concentração e nos paredões de fuzilamento. É preciso que o poder público, com a participação das instituições religiosas e privadas, além da sociedade em geral, invista em educação de qualidade e crie políticas públicas de assistência materno-infantil, orientação aos adolescentes, às mulheres e às famílias, a fim de que elas tenham melhores oportunidades de estudo e de desenvolverem-se no futuro.
A legalização da prática de abortos será um retrocesso da saúde pública, que, ao invés de investir na qualidade de vida da população, passaria a reproduzir uma cultura de incentivo à morte e à violência.
Seria muito mais humano e econômico o poder público investir em qualidade de vida e melhor assistência à saúde do que investir contra o ser humano indefeso. Seria como eliminar a pobreza por meio da eliminação dos pobres, assim como não se pode eliminar a violência de uma gravidez indesejada mediante outra forma de violência, como é o aborto. A nossa sociedade tem sido, nos últimos tempos, marcada por manifestações de grande contradição.
A ciência genética abre novas esperanças à qualidade de vida tão palpitante, cheia de beleza e oportunidades de fazer coisas, criar, enriquecer a família, o país, o mundo, o cosmos. De um lado, anuncia-se com júbilo o resgate de sobreviventes, depois de vários dias soterrados nos escombros de uma tragédia e noticia-se, com alegria, a descoberta de um bebê abandonado, mas simultaneamente ressuscita-se uma campanha a favor da legalização do aborto.
Salvam-se animais, florestas, e querem legalizar a matança de crianças. Alguma vez alguém sabe quem está a ser liquidado?!... Pode ser um novo Mozart, Beethoven, Einstein, Lula, Dilma, Alencar, Marina, Pelé, Ronaldo, pode ser o mais simples dos seres. A consequência do descumprimento das leis humanas é temporal, mas na desobediência à Lei de Deus, suas consequências são eternas. Lutemos contra isso!
Fonte : Vigiai (http://vigiai.net/news.php?readmore=9422)